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Monza 500 EF - Homenagem ao Mito

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Série especial do Monza em homenagem ao ex-piloto Emerson Fittipaldi durou apenas um ano e foi o primeiro carro da GM a sair com injeção eletrônica no país


Filho primogênito da General Motors com injeção eletrônica no Brasil, a série especial Monza 500 EF 2.0 foi lançada em 1990 como um dos tops de linha mais luxuosos do famoso modelo, campeão de vendas da marca por três anos consecutivos (1984 até 1986).
O número e letras de seu nome foram combinados para prestar uma homenagem à vitória do ex-piloto brasileiro Emerson Fittipaldi na tradicional prova das 500 Milhas de Indianápolis, nos Estados Unidos.


Apresentando uma tendência esportiva, mas também com forte apelo familiar, essa versão limitada do Monza SE 2.0 durou apenas um ano e foi destinada originalmente para um público mais selecionado por ser 50% mais caro que o top de linha usual do modelo.
E para ilustrar esta reportagem, novamente recorremos à coleção do empresário paulista Marcelo Florentino da Silva, 37 anos, grande entusiasta de modelos especiais raros e popula res das décadas de 1980 e 90. E entre seus favoritos, figura um exemplar do Monza EF 1990 na cor vinho perolizada, praticamente original.


“O carro foi comprado por meu pai, ainda zero quilômetro. Após algum tempo de uso, ele ficou parado em virtude de um erro de documentação, que gerou um trâmite demorado até que o carro estivesse apto novamente a ser usado. Após regularizá-lo, pude definitivamente ‘pegá-lo para criar’, como sempre faço com todos os automóveis que tenho. E séries especiais limitadas como essa têm de ser muito valorizadas, sempre”, diz Florentino, que mantém o Monza praticamente idêntico ao original, apenas com a realização de manutenções periódicas.




CADÊ O CARBURADOR?

O motor do Monza EF é um Powertech, 2.0 litros (a gasolina), com quatro cilindros em linha, oito válvulas (duas por cilindro) e injeção multiponto. Com torque de 17,8 kgfm a 3.000 rpm, a potência aproximada é de 116 cavalos.
Na época de seu lançamento, a General Motors teve o cuidado de proporcionar uma injeção de combustível  que ainda não aumentasse tanto o desempenho do motor, mas fazia com que a energia do combustível fosse aproveitada ao máximo, o que gerava uma menor emissão de poluentes e melhoria significativa no consumo. Isso tornava o até então inédito sistema mais condizente com o mercado da época e também menos assustador para os novos adeptos, mais desconfiados, que preferiam os carburadores.
O centro nervoso do Monza 500 EF também conta com outras peculiaridades, como o cabeçote com fluxo cruzado de gases (cross flow), com admissão de um lado e escapamento de outro. O distribuidor é acionado diretamente pelo comando de válvulas, no cabeçote, e a bomba d´água movimentada pela correia dentada do comando, ficando a correia trapezoidal incumbida de acionar apenas o alternador.
O Monza EF ainda vinha equipado com câmbio tipo 4+E, com a quinta marcha overdrive (sistema hoje já um tanto defasado, mas que podia ser adaptado em qualquer das marchas e buscava menor ruído e desgaste de consumo). Os freios eram a disco, ventilados na frente e a tambor atrás.
Por fim, o conjunto de suspensão é estilo McPherson (que se caracteriza basicamente por ser um dos sistemas mais simples, com molas helicoidais enroladas em torno dos amortecedores) na dianteira e traseira. O sistema recalibrado é bastante condizente com as características equilibradas do motor, garantindo o bom nível de conforto mesmo em potências mais elevadas.




FIEL
Na parte externa, o carro de Marcelo Florentino ainda preserva todas as linhas originais, com destaque para as entradas de ar nas colunas traseiras, uma das características mais apreciadas pelos fanáticos por design quadrado e robusto do modelo. O discreto aerofólio traseiro, típico do Monza EF, também está preservado e os faróis são Arteb, equipados com lanternas M. Carto. As rodas, aro 13”, são de fábrica, mas estão calçadas com pneus Pirelli P4 185/70 R13. Os emblemas e frisos originais, complementam a parte externa.


Dentro do carro, o grau de requinte também é elevado: ar condicionado, direção hidráulica, vidros verdes, travas e retrovisores elétricos e o primeiro toca-fitas com painel removível do mercado, compõem um conjunto hoje já um tanto nostálgico, mas que ainda agrada logo à primeira vista. As partes laterais das portas, manopla de câmbio, bancos e volante, são revestidos de couro preto e proporcionam um ar mais luxuoso ao sedan.
“Meus requisitos básicos para ‘adotar’ um carro sempre são a baixa quilometragem e o bom estado de conservação. E esse Monza estava perfeito em ambos. Ele já era um velho conhecido da família. Por isso, quero mantê-lo sempre tinindo”, comemora o empresário.  
Por Fernando Cappelli
Fotos Marcello Garcia

 
 
 
by AméricaDez
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