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Capa fosco com vinil vira moda

terça-feira, 22 de junho de 2010

Maneira barata de mudar a cor do veículo, envelopamento fosco com vinil ainda protege a carroceria

Por Fernando Cassaro | Fotos: Juliano Barata

Se você acha que a pintura do carro se divide entre cores lisas, metálicas e perolizadas, saiba que uma nova começa a chamar atenção nas ruas brasileiras: o fosco. Quem anda por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia já deve ter cruzado com alguma dessas máquinas cobertas com o novo acabamento, geralmente preto fosco.

Esse "traje de gala" nada mais é do que a aplicação de uma fina película adesiva de vinil. Produto em alta na Europa e nos Estados Unidos - além de marcar presença em algumas versões do jogo para video games e computadores Need for Speed -, eles começaram a pipocar nas ruas brasileiras há cerca de um ano. A transformação, que é bem menos complicada do que uma nova pintura, é um processo chamado de envelopamento (leia o passo a passo ao lado).

"São necessários dois dias para envelopar um carro inteiro e a aplicação é feita peça por peça", afirma o proprietário da Adesivo Fosco, Felipe Castelli. "Às vezes é preciso retirar um retrovisor ou um puxador, mas na maioria dos carros o procedimento não exige o desmonte de peças." A empresa de Castelli, de São Paulo, faz cerca de 25 envelopamentos por mês.

Além de diferenciação no visual, outra vantagem do vinil é a proteção extra à pintura. Com esse adesivo plástico, aqueles pequenos arranhões na lataria, tão comuns no dia a dia, saem do time de problemas que o motorista enfrenta. E é por isso que o envelopamento não é coisa só de jovens ávidos por modificações. Há também donos mais conservadores e empresas que buscam o serviço - alguns já levam o carro diretamente da revenda para o envelopamento.

Aliás, vale a pena dar uma olhada nas leis antes de efetuar o serviço. Se a ideia é manter a cor original do veículo, como deixar fosco um veículo que já é preto, nada mais precisa ser feito. Porém para alterar a cor é necessário mudar a documentção (veja ao lado).

Nos três primeiros dias após a aplicação, o motorista precisa ter cuidados especiais para não estragar o vinil. Nesse período, nada de sol - o ideal é rodar só à noite ou sair da loja direto para garagem coberta.

Passada essa "quarentena", rode à vontade, mas mantenha atenção especial com a limpeza. Castelli afirma que o ideal é lavar o carro toda vez que ele estiver sujo ou, pelo menos, uma vez por semana. Detalhe: só use água e sabão, sem cera. Caso seja adepto das lavadoras de alta pressão, mantenha o jato a pelo menos um metro de distância, para que a força da água não estrague o envelopamento. Com essas ressalvas respeitadas, o vinil pode durar até cinco anos, dependendo da marca - os lojistas afirmam que as importadas têm qualidade superior.

Apesar de parecer trabalhoso, o cuidado com o carro envelopado é mais simples do que parece, conforme explica o gerente Marcel Winnubst, de 23 anos. "É muito mais fácil para limpar. Qualquer duchinha de posto de gasolina resolve", garante ele, que gastou cerca de 2 000 reais no serviço. Ele é dono de um Ford Fusion SEL 2.3 2008 e apostou no vinil há cerca de um ano, em busca de um visual diferenciado. Contudo acabou se surpreendendo com a proteção extra dada. "Fusion é um pouco carro de ‘tiozinho’ e quis deixar ele mais exclusivo. Mas acabei percebendo que o vinil também impede os arranhões na lataria."

O preço é o grande atrativo para quem prefere usar o vinil no carro para mudá-lo de cor. Na Adesivo Fosco, por exemplo, envelopar um hatch compacto custa cerca de 1 500 reais. Por outro lado, uma repintura completa não sairia por menos de 3 000 reais.

Outra vantagem está na possibilidade de voltar à pintura original caso o motorista não goste do resultado ou se canse do visual. Basta retirar a película para ter de volta a cor que veio de fábrica. Remoção que, se feita por profissionais, não deixa qualquer dano na pintura. É só lavar com querosene e polir à máquina para ela voltar a brilhar pelas ruas.

Se o desejo do proprietário é apenas deixar o veículo com jeitão de máquina exclusiva, há também a possibilidade de envelopar somente algumas partes do carro. Aplicar o vinil em um capô, por exemplo, custa em torno de 300 reais, valor que também varia de acordo com o material utilizado.

Para quem gostaria da pintura fosca mas não gosta do preto, é possível encontrar outras cores à disposição - pelo menos 50 tonalidades, que variam do branco ao vermelho, passando por verde, amarelo, azul... Em resumo: tem película para todos os gostos, inclusive imitação de fibra de carbono.


FORA DA LEI
Se a ideia é mudar a cor do veículo, não se esqueça de alterar os documentos. O Detran-SP explica que o motorista precisa pedir uma autorização prévia ao órgão e depois, com o carro envelopado, deve levar a nota fiscal do serviço, montar o processo de transferência e passar pela vistoria. Se o veículo já estiver licenciado no ano, a taxa é de 126,43 reais. Caso não esteja, fica em 182,26 reais. Vale lembrar que, se as alterações não forem feitas, o motorista pode ser multado em 127,69 reais, levar 5 pontos e ter o carro apreendido


BRILHOU
A prova da flexibilidade desse processo estava no último Salão do Automóvel, em São Paulo. No estande da Mercedes havia um SLS GT3 todo cromado - o que o transformou em um espelho gigante. Se ficou com vontade de fazer o mesmo no seu carro, pode desistir. A legislação não permite andar com um carro cromado pelas ruas, devido ao risco de ofuscamento.


O CAMINHO DO ENVELOPE
1. O automóvel é lavado e tratado com produtos para tirar marcas de piche e outros resíduos na lataria. Isso facilita a aderência do adesivo.



2. Os adesivos são cortados no formato exato de cada peça. A perícia do instalador é essencial para que o vinil não fique com bolhas ou imperfeições.



3. Após a aplicação, começa o acabamento final. Nessa etapa, se costuma usar um secador térmico e uma espátula para realizar a moldagem.



4. Depois, as rebarbas são retiradas com um estilete. Aí vale a perícia do profissional, que tem de tomar o cuidado para não riscar a lataria.



 
 
 
by AméricaDez
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