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Preparação: veneno para o motor VW

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sem muitos recursos, é possível deixar qualquer carro com motor VW a ar mais veloz, basta seguir as receitas dos preparadores consultados por VCars.

Durante a realização de nossa última reunião de pauta, quando decidimos a natureza das reportagens que seriam publicadas na próxima VCars, alguém deu a sugestão: preparar um texto sobre veneno para o motor Volkswagen a ar. Acreditamos que a idéia, apesar de não ser nova, sempre desperta o interesse dos nossos leitores e, por este motivo, optamos por colocá-la em prática, contando para isso com o apoio técnico de três famosas oficinas de preparação. Porém, quando se trabalha com este tipo de pauta, normalmente são enfocadas receitas de “venenos” médios ou pesados que, com toda certeza, estão longe da realidade econômica da grande maioria dos entusiastas. Assim, com a intenção de democratizar esse serviço, resolvemos estabelecer alguns parâmetros básicos, caso do valor gasto nas peças empregadas, que não poderia exceder R$ 3 mil. Apesar da limitação financeira, nossa meta era obter cerca de 100 cv (SAE) do motor VW 1600 a álcool que, com dupla carburação Solex 32, desenvolve cerca de 65 cv (SAE) a 4.600 rpm.

Além disso, tendo em mente que a utilização do carro seria predominantemente urbana, a vida útil do motor, a marcha lenta e o consumo de combustível deveriam ser semelhantes aos originais. Também pedimos que fosse dada preferência aos componentes de fabricação nacional, facilitando assim não só a compra, mas também a localização dos itens de veneno. Nossos colaboradores teriam ainda de informar a marca, o modelo e o tipo das peças utilizadas, mas sem o compromisso de revelar o valor da mão-de-obra, que é variável e não influi nos parâmetros pré-estabelecidos.

ELEGENDO ITAMAR
Marcelo Jesus Perez, da Sportystem Drag Racing Team, nos forneceu uma receita de motor aspirado tendo como base o 1600 do Fusca Itamar, equipado originalmente com alternador e sistema de ignição eletrônica. Trata-se do motor mais “moderno” que já equipou nosso besouro, só sendo superado pela unidade “injetada” que equipou as últimas Kombi a ar, razão pela qual também foi considerado ponto de partida para os demais projetos. Segundo Marcelo, para obter um bom resultado, é necessário adquirir comando de válvulas Federal Mogul ou Engle (americanos) de 284 graus, filtros de ar esportivos Sportsystem, jogo de juntas motor Sabó, óleo 20/50 mineral, bomba de óleo Shadek com engrenagem de 30 mm (a original tem 24 mm), flange para filtro e filtro de óleo Empi H1 (americano) e escapamento dimensionado 4x1 com abafador. No tocante à mão-de-obra, é preciso aliviar o peso do volante do motor, balancear o conjunto de platô/volante/virabrequim, retrabalhar os dutos dos cabeçotes, retrabalhar as câmeras de combustão e rebaixar os cabeçotes para obter uma taxa de 13:1.

A receita de Marcelo para o motor turbinado emprega turbina Biagio ou Master Power (com caracol frio 48 e caracol quente 35, que trabalhará com 0,8 bar de pressão), bomba de combustível elétrica Bosch (“do Gol GTI”), jogo de velas NGK (BR9ES rosca longa ou BR9HS-10 rosca curta, dependendo dos cabeçotes), mangueiras de combustível Goodyear (de 7,0 mm ou 8,0 mm, do tipo usado em sistemas de injeção), filtro de gasolina Bosch (também para motores com injeção), kit Sportsystem (com flange de filtro, filtro e radiador de óleo) e mangueira Goodyear Ortac.

NOVAS BORBOLETAS
 Denis Mangone, da Champcar, também indica comandos entre 270 e 280 graus (com “lobe centers” de 108º acima, para obter marcha lenta e boas respostas nas acelerações), de marcas como Sobe e Sam Cams. Sugere ainda a instalação de molas duplas no cabeçote (evitando assim a flutuação das válvulas), bastando para isso colocar as molas utilizadas no motor AP (menores) dentro das molas do motor a ar (maiores).Como já foi dito anteriormente, Denis citou a troca do escapamento por um 4x1 com abafador e a substituição dos filtros de ar por outros esportivos, mas do tipo “cônico de turbinas”, de fabricação nacional. A bobina original deve ser trocada pela do Gol MI, que gera alta voltagem e facilita a queima do combustível, inclusive nas partidas a frio. Independente da marca, também devem ser empregados cabos de velas de alta indução siliconizados, bem como velas frias de grau térmico 8 ou 9.


Em termos de mão-de-obra, foram lembrados o retrabalho do cabeçote, com posterior análise em banca de fluxo, a fim de obter uma perfeita equalização destes e a correta porcentagem da vazão dos gases de admissão em relação aos gases de escapamento. Os carburadores Solex, mantidos para não exceder o orçamento, deverão ter as borboletas de 32 mm substituídas por outras de 36 mm, enquanto os difusores (venturis) originais, de 22 mm, têm de ser substituídos por outros de 26 mm. Já para os motores turbinados, a sugestão é empregar um dos vários kits encontrados no mercado nacional, que usam turbinas como Garret, Holset e KKK.

MAIS MUDANÇAS
Não fugindo nos detalhes básicos dos exemplos já apontados, Marcelo Romanholi, da Roman Racing, indica a utilização, em motores aspirados, do comando de válvulas da Kombi a álcool que, com toda certeza, irá colaborar para baixar os custos da preparação. Outro ponto no qual sua receita diverge das demais é no emprego do disco de embreagem do utilitário, bem como na utilização das válvulas originais do esportivo SP2 (com 40 mm para admissão e 33 mm para escape).
 Vale citar que, para as sugestões aqui publicadas (ou qualquer outro tipo de veneno), é necessário ter um motor em boas condições. Caso o propulsor apresente sintomas como queima de óleo, barulhos internos ou folga ao se manusear a polia da árvore de manivelas (virabrequim), é interessante realizar uma retífica em conjunto com a preparação. Muitas vezes, inclusive, o preparador chega a exigir a troca do bloco e dos cabeçotes por outros novos, sem os quais não realiza o serviço, pois não pode para garantir a integridade do motor. Esta política, embora salutar, aumenta em muito a despesa geral, mas é um preço pequeno a se pagar para não ter surpresas desagradáveis no futuro. As grandes lojas costumam ter estes itens em estoque, caso da PKR Comércio de Auto Peças, na qual encontramos o bloco sendo vendido por R$ 2.050, enquanto os cabeçotes custavam R$ 410 cada. Ambos os itens são originais Volkswagen, mas o primeiro é absolutamente standard, sem peças periféricas, enquanto os cabeçotes são fornecidos com válvulas e molas. Como consolo, vale citar que estes valores, por meio de cartão de crédito, podem ser parcelados, prática comum a outras lojas do gênero espalhadas por todo o Brasil.

CUIDADOS ESPECIAIS

O serviço de preparação leva entre 10 e 30 dias para ficar pronto, não contabilizando, necessariamente, as alterações que devem ser feitas no restante do veículo. Preferencialmente instale um conjunto a disco nas quatro rodas, com discos frisados e pastilhas especiais. Caso isso não seja possível, o mínimo a se fazer é revisar todo o sistema, inspecionando pastilhas, discos, lonas, tambores, flexíveis e demais componentes, além de trocar as peças desgastadas por itens novos e de marcas idôneas, nacionais ou importadas. O uso de fluído de boa qualidade, com especificação dot 4, também irá contribuir para a segurança do veículo.

Após a realização do serviço, apesar da vontade de testar os novos limites do carro, o motor não deve ser forçado desnecessariamente. Assim, na primeira partida do dia, nunca o acelere a fundo, fazendo o propulsor atingir mais de 2.000 rpm antes de estar perfeitamente lubrificado. Outro cuidado importante é cuidar para que a rotação máxima de cada marcha nunca seja ultrapassada, fazendo o controle com o auxílio de conta-giros. Como cuidado extra, o óleo deve ser trocado em intervalos mais curtos, assim como seu filtro. Por fim, cabe um lembrete talvez um pouco óbvio, mas que pode evitar muita confusão: lembre-se que as ruas não são pistas de corrida.

Fonte: info online

 
 
 
by AméricaDez
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