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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Cinqüentona a mil: 50 fatos sobre a veterana Kombi, que completa 50 anos de produção no Brasil sem dar pinta de cansaço

Por André Fiori

1. Em 2 de setembro de 1957, a Kombi era lançada no Brasil. Antes dela, só eram fabricados no país DKW Vemaguet, Ford F-100 e Jeep Willys.
2. Já era vendida no Brasil em 1950 pela Brasmotor, apenas montada no Brasil. Moderníssima, havia estreado na Alemanha em 8 de março de 1949.
3. Em 1957, seu índice de nacionalização era de 50%, quando a lei exigia 40% para ser um veículo brasileiro. Em 1961, o índice era 95%.
4. É o único modelo nacional que ainda possui quebra- vento, maçanetas de gatilho, pára-choque de metal e câmbio manual de quatro marchas.
5. Último nacional com carburador, ganhou injeção eletrônica em 1997 devido à legislação ambiental. Foi o último veículo do mundo a sair de linha com motor a ar, em 23 de dezembro de 2006.
6. Refrigeração a água não é coisa nova na Kombi, que ganhou a tecnologia na versão a diesel, produzida entre 1981 e 1985.
7. A versão se tornou um fracasso devido principalmente a problemas de refrigeração. Alguns donos descobriram que, usando mais etilenoglicol no líquido de arrefecimento, ela não dava problemas.
8. No mundo, ela teve cinco gerações. O Brasil fabrica a segunda, aposentada na Alemanha em 1979.
9. Em 1976, ganhou nova dianteira na carroceria antiga. O restante só mudou em 1997.
10. No projeto, passageiros e carga ficam ou sobre ou entre os eixos. Esse conceito só mudou em 1989 com a quarta geração, com motor dianteiro.
11. Nos anos 60, uma propaganda brasileira dizia que ela podia levar até 12 pessoas - três a mais que a capacidade homologada. Oficialmente, 12 pessoas só puderam se sentar na versão Lotação de 1999, com quatro fileiras de bancos.
12. A primeira Kombi nacional podia carregar 810 quilos. Com as melhorias de motor, desde 1976 passou a levar 1 tonelada de carga.
13. Os motoristas de lotação em Pernambuco são chamados de kombeiros. O termo é usado até em textos oficiais do Ministério Público local.
14. Kombi e lotação sempre andaram juntas. Em 1958, circulavam 15 delas em Teresina (PI).
15. Em 1960 surgiu a versão de seis portas. A configuração deveu-se à exigência paulistana para homologá-la como táxi, o que incluiu ainda estribos.
16. Ela ganhou apelidos como Pão de Forma e Pão Pullman, por seu formato retangular.
17. O modelo tinha status de veículo familiar, como mostrou a capa da nossa edição no 7, de fevereiro de 1961. O casal da foto eram os atores John Herbert e Eva Wilma, com os filhos Júnior e Vivian.
18. O motor refrigerado a ar se foi, mas ela continua sendo o único Volkswagen com motor traseiro. Aliás, o motor a ar será produzido no Brasil até 2015, visando o mercado de reposição
19. A linha de montagem fica em São Bernardo do Campo (SP) - onde é feita desde a estréia - e é a única que não conta com nenhum robô. O processo é manual, comandado por 95 funcionários.
20. O total de peças de uma Kombi Standard é de 4 620.
21. A Kombi já foi escritório móvel de órgãos públicos, ambulância, consultório dentário, consultório médico, radiopatrulha e até carro funerário.
22. Até os campistas foram contemplados, com a Kombi Turismo, feita de 1960 a 1962. Outras duas couberam à Karmann Ghia, que fez os motorhomes Touring e Safari, este descontinuado em 1995.
23. Até julho deste ano foram produzidas no Brasil 1 385 682 unidades. Só perde para o Fusca, com 3,3 milhões, e para o Gol, com quase 5 milhões.
24. É o 24º modelo mais vendido do mercado (ranking de julho), com 2 103 unidades. Está à frente de Vectra, Palio Weekend, Parati e Astra Hatch.
25. É o único veículo de série do Brasil que já teve todas as configurações de combustível possíveis pela lei: só a gasolina, só a álcool, diesel e flex. Teve até uma opção GNV homologada pela VW.
26. Nos anos 90, os incêndios tornaram-se freqüentes. Culpa da falta de manutenção, mas também ajudava o fato de o filtro de combustível ficar muito próximo ao distribuidor. Com a mudança de geração em 1997, foi possível afastar as duas peças.
27. Nos anos 70 e 80, ela era um dos veículos preferidos para uso em estradas de terra. Valia-se dos 24 centímetros de altura livre do solo e do motor traseiro, que melhorava a tração em subidas.
28. Pensando num uso mais off-road, entre 1970 e 1972, ela ganhou o diferencial travante, acionado por uma alavanca na base do banco - opcional que nunca fez sucesso.
29. Na edição de julho de 1970, QUATRO RODAS fez um comparativo com Toyota Bandeirante e Rural Willys. A Kombi foi eleita a melhor no transporte de carga e na travessia de trechos alagados.
30. Em opções de carroceria, os anos 80 foram o auge: furgão, transporte fechado de passageiros, picape cabine simples e cabine dupla.
31. Hoje ela só é exportada para um país. A Danbury Motorcaravans, empresa de trailers e motorhomes da Inglaterra, compra algumas para convertê- las a campistas, com os nomes Rio e Diamond e a devida mudança de volante para a direita, claro.
32. Já foi produzida aqui Kombi com volante à direita, destinada a países pobres que usam a mão-inglesa, como a Jamaica. Nesse caso, as portas laterais traseiras eram deslocadas para a esquerda.
33. Em 1996, o México desativou sua linha de produção e deixou o Brasil como único fabricante de Kombi no mundo.
34. Até 1975, o vidro da porta era formado por duas peças corrediças e havia um captador de ar no teto. De 1976 em diante, a grade de ventilação passou a ficar entre os piscas e o vidro tornou-se inteiriço e descia por manivela, como é até hoje.
35. A idéia da Kombi veio da Holanda, quando Ben Pon, dono de uma autorizada da VW, teve a idéia ao visitar Wolfsburg e ver veículos de uso interno feitos para carregar peças na fábrica.
36. O paulistano Euclides Pinheiro treinou 12 dias para andar em duas rodas numa Kombi, atração que incluía um equilibrista plantando bananeira.
37. Nomes no mundo: Bulli (Alemanha), Pão-deforma (Portugal), Combi (México), Kleinbus (Finlândia), Bus (Estados Unidos) e Papuga (Polônia).
38. O primeiro teste da Kombi na QUATRO RODAS foi publicado em janeiro de 1963. O modelo Luxo 1962 tinha um motor de 1 192 cm3 de 32 cv a 3 700 rpm e 7,7 mkgf a 2 000 rpm.
39. No teste de estréia, ela cravou 93 km/h de velocidade máxima e acelerou de 0 a 80 km/h em 27,8 segundos. Seu consumo em "situação de rush" era de 7,5 km/l sem carga e 6,8 km/l carregada.
40. De 1957 a 1986, ela ganhou a versão Luxo, com pintura em duas cores (saia-e-blusa), com direito a forro completo no teto. Entre 1997 e 1999, foi a vez da Carat, que tinha bancos de veludo.
41. Segundo a VW, a legislação brasileira não exige que a Kombi passe por crash-test, mas esses testes são feitos para avaliar o comportamento do veículo e pontos de ancoragem de bancos e cintos.
42. Ela já foi exportada para o México com motor AP-1800. Por aqui o motor 1.4 da família EA- 111 levou a melhor pelo menor torque, que permitiu aproveitar a mesma caixa de câmbio de hoje.
43. No Brasil, a Kombi é o único VW a usar o motor EA-111 na versão 1.4 - só o Fox de exportação usa essa mesma cilindrada. O restante dos modelos vendidos aqui usa o 1.0 ou o 1.6.
44. Nos EUA, um V8 foi colocado em uma velha Kombi 1959, em posição central. Na Suíça, uma carroceria da primeira geração, alargada com plataforma da terceira, foi equipada com motor e câmbio Porsche, herdados de um 911 GT3 refrigerado a ar.
45. Kombi é a abreviação do alemão Kombinationfarhzeug ("veículo de uso combinado").
46. Sua montagem manual leva quatro horas. Um Fox, cuja linha de montagem é maciçamente automatizada, demora o dobro do tempo.
47. Um grupo de idosos de Mauá, na Grande São Paulo, fez de uma Kombi 1966 a sede do seu clube. A turma da terceira idade se reúne dentro de veículo para jogar truco, tocar violão ou fazer tricô.
48. É o único modelo nacional que não tem ar e direção hidráulica - nem como opcional.
49. O desembaçador traseiro é único opcional da Kombi Standard. Na versão Furgão, é o banco inteiriço para três pessoas, em lugar dos individuais.
50. Em 50 anos de vida, a Volkswagen nunca colocou o nome Kombi em sua carroceria, com uma única exceção: a série especial Prata (2006), com 200 unidades, comemorativa do fim da produção do motor refrigerado a ar.
Na capa de 1961, a Kombi mostra sua então vocação familiar.


Nem só de trabalho vivia a Kombi, que também fazia suas acrobacias.

Primeiro esboço de Ben Pon, em 1947. Ela pesaria 750 kg e levaria 750 kg.

As cinco gerações na Europa: 1950, 1967, 1979, 1991 e 2004.


Fonte: quatrorodas.com.br

 
 
 
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