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Achados meio perdidos: um Porsche 911 Targa para quem entende do assunto

segunda-feira, 5 de março de 2012



Em meio à torrente de carros antigos supervalorizados que tomou conta do mercado nos últimos tempos, é sempre um alívio encontrar joias como essa à venda. Trata-se de um Porsche 911 Targa 1972, que você conhecerá em detalhes a seguir.
O 911 Targa foi introduzido em 1965, e se posicionava entre o cupê e o conversível. Seu nome era uma homenagem à Targa Florio, a lendária corrida italiana, e desde então inúmeras marcas copiam a configuração de teto removível. O carro das fotos pertence à chamada série C do 911, introduzida em 1970. Nessa época, o boxer de seis cilindros que movia os 911 era de 2,2 litros, com potência que variava de 150 a 180 cv.



Esse exemplar veio dos EUA, como podemos notar pelos para-choques mais volumosos e pela terceira luz de freio, e recebeu um “facelift”, com peças do aclamado modelo Turbo apresentado em 1975 – o que não nos incomoda nem um pouco, afinal o 911 foi basicamente o mesmo carro por trinta anos desde seu lançamento em 1963, e modificações/atualizações de bom gosto, como é o caso, são sempre bem vindas. As rodas são Fuchs originais Porsche de 16×6 na frente e 16×8 atrás.



Mas é no cofre do motor que se encontra o grande atrativo do carro – ainda que isso tenha ficado em segundo plano na conversa que tive com o dono: o motor original deu lugar a um boxer de 3,0 litros. Esse propulsor passou a ser usado na linha apenas em 1974, e o dono especula que renda algo na casa dos 210 cv. Somando isso ao volante e pedais Momo e às rodas de tala bem larga, e podemos deduzir que alguém na história desse carro sabia o que fazer com ele.



As fotos, recentes, mostram que o carro está bem conservado. O 911 foi adquirido há alguns meses como parte de uma negociação, e já veio com o “Turbo look” e com o motor 3.0. A carroceria exibe o belo Grand Prix White e está impecável, enquanto o interior preto está recebendo os toques finais de uma caprichosa restauração ao seu estado original que, segundo o dono, seguirá adiante enquanto o carro não é vendido.


O dono do carro é James Mendonça, que mantém junto com seu filho Henrique o excelente site O Acervo. Ambos são ávidos colecionadores de clássicos e, pasmem, não são muito fãs do esportivo de Stuttgart. O foco da coleção são Alfa Romeo e BMW – e você deve se lembrar de dois bávaros que já passaram por aqui, nas mãos do nosso Renato Bellote: um Alpina 2002 ti e um 635 CSi. O site reúne informações sobre esses e outros veículos da coleção – da qual também faz parte uma preciosa seleção de esportivos nacionais antigos. Henrique, aliás, é leitor assíduo do Jalopnik e foi ele quem entrou em contato conosco. Podem ter certeza que logo traremos mais coisas sobre sua fantástica coleção.

Voltando ao nosso Porsche (porque nós aqui do Jalop simplesmente o adoramos), ele está à venda, lembra? Mas não espere uma quantia abusiva. O valor pedido para levá-lo de sua casa em Belo Horizonte é de razoáveis R$ 80.000,00. Ciente dos preços inflados que o mercado atual nos traz, Henrique comenta: “a gente sabe o que tem nas mãos, é muito raro um 911 autêntico no Brasil abaixo dos R$ 100 mil. Sem dúvida o carro precisa de um dono, e é uma grande oportunidade para quem tiver disposição para finalizá-lo”.


Creio que todos nós gostaríamos de ser esse alguém, mas podem apostar que não vai demorar muito para que esse carro encontre um novo lar.

Por Por Dalmo Hernandes, Jalopnik

 
 
 
by AméricaDez
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